O monstro-de-gila, um lagarto venenoso que inspirou a criação do Ozempic. Fonte: BBC
O Que Há de Especial no Monstro-de-Gila?
Seu nome científico é Heloderma suspectum, mas é mais conhecido como monstro-de-gila. Este lagarto, nativo da América do Norte, possui uma mordida venenosa que pode causar sérias complicações em humanos. No entanto, foi justamente em seu veneno que os cientistas encontraram uma enzima que revolucionou a medicina.
O hormônio exendina-4, presente no veneno do monstro-de-gila, mostrou-se semelhante ao GLP-1, uma substância que os humanos produzem naturalmente para regular os níveis de açúcar no sangue. A diferença crucial é que a exendina-4 permanece no organismo por mais tempo, tornando-a ideal para o desenvolvimento de medicamentos.
O veneno do monstro-de-gila contém uma enzima que inspirou a criação do Ozempic. Fonte: BBC
Como o Veneno se Transformou em Medicamento?
A exendina-4 foi a base para o desenvolvimento do Byetta (exenatida), o primeiro medicamento para diabetes tipo 2 derivado do veneno do monstro-de-gila. Com pequenas modificações, os cientistas criaram a semaglutida, o princípio ativo do Ozempic e Wegovy, que são ainda mais eficazes e duradouros.
"É impressionante como uma mudança em um ou dois aminoácidos pode fazer com que a molécula dure mais tempo na corrente sanguínea, mantendo ou até mesmo aumentando sua eficácia terapêutica", explica o professor Kini, especialista em toxinas.
A semaglutida, princípio ativo do Ozempic, revolucionou o tratamento do diabetes e da obesidade. Fonte: BBC
Outros Animais que Inspiraram Medicamentos
O monstro-de-gila não é o único animal cujas toxinas foram transformadas em tratamentos médicos. A cobra brasileira Bothrops jararaca, por exemplo, deu origem aos inibidores da ECA, medicamentos essenciais para o controle da pressão arterial.
Outros exemplos incluem neurotoxinas de caracóis marinhos, usadas para tratar dores crônicas, e anticoagulantes derivados da saliva de sanguessugas. "As toxinas evoluem para causar efeitos muito precisos. Se conseguirmos isolar e compreender esses mecanismos, podemos transformá-las em aliados terapêuticos", diz Kini.
A cobra Bothrops jararaca inspirou medicamentos para controle da pressão arterial. Fonte: BBC
O Futuro das Toxinas na Medicina
O estudo de toxinas animais continua a avançar, com pesquisadores explorando venenos de cobras, saliva de mosquitos e outras fontes para desenvolver novos tratamentos. "Podemos encontrar compostos ainda mais eficazes ou criar versões sintéticas que ataquem doenças por novos ângulos", afirma Kini.
No entanto, ele alerta que transformar uma descoberta em um medicamento disponível comercialmente exige anos de ensaios clínicos e investimentos significativos. Ainda assim, os resultados valem o esforço, especialmente considerando o impacto global de doenças como diabetes, obesidade e hipertensão.
O estudo de toxinas animais pode levar a novas descobertas médicas. Fonte: BBC
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